A história começa com um brutal assassinato executado por Dorian Gray, livrando-se do corpo num rio próximo, após encaixá-lo num baú. Sabe-se que ele agora herdara a fortuna do pai, o conhecido Sr. Kelso. Após este pequeno prólogo, o filme retorna um ano, mostrando o início de toda a intriga.
O filme conta a história fictícia de um jovem chamado Dorian Gray na Inglaterra aristocrática e hedonista do século XIX, que torna-se modelo para uma pintura do artista Basil Hallward (Ben Chaplin, confortável no papel). Dorian tornou-se uma fonte de inspiração para o pintotr, assim como para outras obras e, implicitamente no filme, uma paixão platônica por parte do pintor (dái tiramos toda a tensão homossexual latente no filme). Lord Henry Wotton (Colin Firth, bem), um aristocrata cínico e hedonista típico da época e grande amigo de Basil, conhece Dorian, seduzindo-o para sua visão de mundo, onde o único propósito que vale a pena ser perseguido é o da beleza e do prazer, numa espécie de ressurreição dos ideais helênicos. A chegada de Dorian Gray ao HellFire Club vai mostrar isso, numa câmera por vezes subjetiva, que passeia pelo submundo de Londres da Inglaterra do século XIX.

Dorian Gray é progressivamente corrompido pelo cínico Harry Wotton. Enfeitiçado diante do seu novo retrato, Dorian proclama um desejo fatídico: em troca da juventude eterna, dá a sua alma. Por décadas, Dorian tenta escapar impassível enquanto leva à morte as pessoas que o rodeiam. O seu retrato torna-se cada vez mais horrível com as marcas dos seus pecado, correndo-lhe nas veias, a loucura.
Esta obra tornou-se um símbolo da juventude intelectual e de suas críticas à cultura vitoriana, despertando grande polêmica em relação ao seu conteúdo homoerótico. Oscar Wilde, apontado como o pai do decadentismo na Inglaterra, foi preso por essa obra.
Há referências a Hamlet, em especial a personagem Ophelia. Uma das amantes de Dorian Gray vai encena a peça durante o filme. Além dos símbolos marcantes, como o espelho quebrado (azar) e o vermelho (paixão, ardência) que tintura a geleia, as fitas e as rosas que aparecem a esmo durante o filme, temos bastante referências literárias e históricas no filme, que apesar de perder o fôlego em determinado momento chave da trama, apresenta-se como um exercício acadêmico e cultural de muita força.
Com 100 minutos de duração, esta adaptação do clássico inglês não é de todo ruim, mas poderia ser mais sombria e menos lenta. O trabalho de edição e fotografia é digno de nota, assim como a trilha sonora. A direção ficou por conta de Oliver Parker.